Voltei... Cansada, sem inspiração, mas voltei! A todos desejo um Bem-Hajam!
Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida verdade, o Sentimento!
E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...
Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
Florbela Espanca

Sim, amei-te...
Não te amei como se ama uma só vez na vida,
porque a vida é uma constante busca do mais.
Amei-te com um amor único,
porque o amor tem muitas faces,
todas diferentes entre si...
Amei-te de verdade
- com a minha verdade –
Mas,
daquele amor profundo e insano
restaram apenas lembranças
que desfilam pela mente
como um filme antigo,
cujas cores o tempo
se encarrega de esmaecer a cada dia
que esta distância nos obriga...
Ecos na memória
cada vez menos audíveis...
Algemas se rompendo
libertando a alma...
O véu que encobre os olhos
caindo aos poucos,
mostrando a realidade bem diversa
da imaginação tão fértil em criar sonhos,
para dar rumo à alma solitária
e alimentar um coração sedento de amor.
Sim, amei-te...
Amei?
(Desconheço o autor)


As horas que passo comigo,
são repletas de lembranças,
apenas isso.
Não há palavras que possam salvar-me,
por isso sobrevivo de esperança.
Quem sabe em outra oportunidade,
eu demonstre fragilidade,
sem esta determinação criada por defesa.
Quem sabe em uma próxima vez,
eu seja dócil como as flores de uma primavera
e afável como uma criança.
Quem sabe o amor me encontre na surpresa
e eu sinta vontade de segui-lo...
cega, mas feliz e sem receio.
Quem sabe esta mesmice se acabe
e eu volte a sorrir como antigamente,
despreocupada com o tempo que passa,
devolvendo-me a vontade de ser feliz...
Ângela Lara
